O que pode mudar para melhor com Flávio Bolsonaro sendo o novo presidente?

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026 poderá representar uma mudança significativa na condução da economia, da segurança pública, da administração federal e da relação entre os Poderes. Seu plano de governo aposta em um Estado mais enxuto, redução de despesas, revisão de impostos, fortalecimento da segurança e maior participação do setor privado na economia.

POLÍTICA

Master

10/7/20266 min read

Um governo com foco em menos Estado e mais eficiência

Caso seja eleito presidente da República, Flávio Bolsonaro deverá encontrar um dos maiores desafios dos últimos anos: equilibrar as contas públicas sem comprometer a capacidade do governo de prestar serviços à população.

Uma das principais propostas de seu plano de governo é o chamado “tesouraço”, que prevê a redução de ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas. A ideia é diminuir o tamanho da máquina pública e direcionar recursos para áreas consideradas prioritárias.

O programa também propõe uma reforma administrativa, revisão de benefícios no setor público e medidas contra supersalários.

Na prática, se essas medidas forem implementadas com eficiência, a expectativa defendida pela campanha é de um Estado menos burocrático e com maior capacidade de concentrar recursos em serviços essenciais.

Economia: redução de impostos e busca por equilíbrio fiscal

Outro ponto que pode provocar mudanças importantes seria a política econômica.

O plano de Flávio Bolsonaro prevê uma reformulação das regras fiscais, com busca por superávits primários e redução da relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB).

A proposta também prevê revisar pontos da reforma tributária e reduzir a carga de impostos sobre produção e consumo.

Para empresas e trabalhadores, uma redução sustentável da carga tributária poderia significar maior espaço para investimentos, contratação de funcionários e expansão dos negócios.

O programa ainda estabelece como objetivo alcançar crescimento econômico sustentado de 4% ao ano ao longo da próxima década, apostando principalmente no investimento privado, na infraestrutura e na melhoria do ambiente de negócios.

É importante destacar, porém, que crescimento econômico não depende apenas de uma decisão presidencial. Medidas fiscais, tributárias e estruturais precisam passar por negociações com o Congresso e dependem também do comportamento dos juros, da inflação, do cenário internacional e da confiança dos investidores.

Mais espaço para a iniciativa privada

Uma das diferenças que poderiam marcar um eventual governo Flávio Bolsonaro seria uma maior participação do setor privado em áreas atualmente ocupadas pelo Estado.

O plano prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização e uma avaliação das empresas estatais para identificar onde a presença do governo poderia ser reduzida.

A proposta também busca estabelecer critérios técnicos para nomeações em estatais e agências reguladoras.

A lógica defendida é que o governo concentre seus esforços nas áreas essenciais, enquanto empresas privadas possam assumir atividades econômicas em que exista concorrência e capacidade de investimento.

Se bem executada, essa estratégia poderia aumentar investimentos e reduzir determinadas despesas públicas. Por outro lado, cada privatização precisaria ser analisada individualmente para avaliar seus impactos econômicos e sociais.

Segurança pública como prioridade

A segurança pública deverá ser uma das áreas de maior mudança em um eventual governo Flávio Bolsonaro.

O plano de governo prevê endurecimento do combate ao crime organizado, aumento dos investimentos federais em segurança, ampliação da inteligência policial e fortalecimento do controle das fronteiras.

Entre as propostas estão a classificação de grandes facções criminosas como organizações narcoterroristas, o bloqueio de recursos utilizados pelo crime organizado e a criação de um sistema nacional de fronteiras.

O programa também prevê novos presídios federais de segurança máxima e ampliação da capacidade penitenciária.

Outra proposta é reduzir a maioridade penal para 16 anos em determinadas circunstâncias, medida que exigiria mudanças legislativas e enfrentaria intenso debate no Congresso e na sociedade.

A promessa de um combate mais duro ao crime pode representar uma mudança de orientação em relação à política de segurança, com maior ênfase em repressão, inteligência, encarceramento e combate financeiro às organizações criminosas.

Uma nova relação entre Executivo, Congresso e STF

Outra possível transformação estaria na relação entre os Poderes da República.

Flávio Bolsonaro defende mudanças nas regras relacionadas ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal, incluindo limitações às decisões monocráticas de ministros e maior valorização das decisões colegiadas.

Também propõe mudanças no sistema político, como o fim da reeleição para cargos do Executivo.

Essas medidas, entretanto, não poderiam ser simplesmente determinadas pelo presidente. Mudanças constitucionais dependem de aprovação do Congresso Nacional, o que significa que a capacidade de negociação política será fundamental para qualquer eventual governo.

Programas sociais continuariam, mas com nova orientação

Apesar do discurso de redução do tamanho do Estado, o plano de governo não prevê simplesmente acabar com os programas sociais.

A proposta é manter os benefícios existentes, mas aumentar o controle contra fraudes e aproximar os programas de transferência de renda de iniciativas de qualificação profissional, emprego e geração de renda.

A ideia seria transformar parte da política social em uma ponte entre o benefício e o mercado de trabalho.

O plano também prevê medidas para impedir que recursos de programas sociais sejam utilizados em apostas e ampliar iniciativas de educação financeira.

Saúde com mais tecnologia e participação da rede privada

Na saúde, uma eventual administração Flávio Bolsonaro também poderia promover mudanças na forma de atendimento.

O programa prevê ampliar a Estratégia Saúde da Família, investir em telessaúde e digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS), além de criar mecanismos para utilizar a capacidade ociosa da rede privada para atender pacientes do sistema público.

A proposta poderia ajudar a diminuir filas caso exista uma boa coordenação entre governo, hospitais e prestadores de serviço.

Também estão previstas medidas relacionadas à entrega domiciliar de medicamentos e ao atendimento de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas.

Educação com maior foco em ensino técnico e mercado de trabalho

Na educação, o plano prevê ampliar o ensino técnico e aproximar a formação profissional das necessidades do mercado de trabalho.

O programa também defende o método fônico como referência na alfabetização, expansão de escolas cívico-militares e utilização de indicadores de aprendizagem para orientar parte dos repasses educacionais.

Outro ponto é o incentivo a áreas como robótica, inteligência artificial e educação financeira.

A proposta de ampliar o ensino técnico pode ter impacto direto sobre jovens que buscam entrar mais rapidamente no mercado de trabalho, especialmente se houver parceria entre instituições de ensino e empresas.

Infraestrutura e investimentos privados

Um eventual governo Flávio Bolsonaro também poderia buscar uma política mais agressiva de atração de investimentos privados.

O plano relaciona crescimento econômico a investimentos em infraestrutura, segurança jurídica e competitividade.

A retomada de concessões, privatizações e parcerias com empresas privadas poderia acelerar investimentos em setores como transporte, energia, saneamento e logística.

Para um país com grandes necessidades de infraestrutura, a atração de capital privado poderia representar uma alternativa para ampliar investimentos sem depender exclusivamente do orçamento federal.

Meio ambiente e desenvolvimento econômico

A proposta ambiental do candidato combina exploração econômica dos recursos naturais com metas de preservação.

O plano estabelece como objetivo zerar o desmatamento ilegal até 2029, utilizando monitoramento por satélite, inteligência artificial e cruzamento de dados.

Também prevê ampliar o mercado de carbono, pagamentos por serviços ambientais e atividades relacionadas à bioeconomia.

Para a Amazônia, esse ponto pode ter importância especial, já que o desafio será conciliar desenvolvimento econômico, geração de empregos e preservação ambiental.

O que realmente poderia mudar?

Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição e conseguir implementar sua agenda, as principais mudanças poderiam ocorrer em cinco grandes frentes: redução do tamanho do Estado, busca por equilíbrio fiscal, redução da carga tributária, endurecimento da segurança pública e maior participação da iniciativa privada na economia.

A grande questão, entretanto, será transformar propostas de campanha em políticas públicas efetivas.

Um presidente não governa sozinho. Reformas tributárias, administrativas, constitucionais e mudanças na legislação penal dependem do Congresso Nacional. Além disso, qualquer política econômica estará condicionada ao comportamento da inflação, dos juros, da dívida pública e da economia internacional.

Por isso, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro não significaria uma mudança automática no Brasil. Ela representaria o início de um processo de transformação que dependeria de capacidade política, responsabilidade fiscal e execução eficiente.

Um novo ciclo para o Brasil?

A eventual chegada de Flávio Bolsonaro à Presidência representaria uma mudança significativa na orientação política do governo federal.

A proposta apresentada durante a campanha combina liberalismo econômico, redução do tamanho do Estado, conservadorismo nos costumes, endurecimento da segurança pública e maior protagonismo do setor privado.

Para seus apoiadores, esse caminho poderia representar mais liberdade econômica, segurança, responsabilidade fiscal e oportunidades para quem trabalha e empreende.

Para seus críticos, algumas propostas levantam preocupações sobre direitos, impactos sociais e a concentração de poderes.

Independentemente da posição política, o ponto central será verificar se as promessas conseguirão sair do papel e produzir resultados concretos na vida dos brasileiros.

O futuro de um eventual governo Flávio Bolsonaro dependerá menos dos discursos de campanha e mais da capacidade de transformar suas propostas em políticas públicas eficientes, dentro das regras democráticas e com responsabilidade econômica.

Olho no Futuro — informação, análise e opinião sobre o Brasil e o futuro.